sábado, maio 30

X. Cor


O que abandona a face abatida pelo cansaço e o que descasca das unhas sempre que o tempo vence os pequenos compromissos adiáveis, aquilo que pinta a face dos guerreiros mais destemidos e também flamula inerte nas bandeiras sobre caixões dos que jamais retornaram do campo de batalha. Espectros refletidos de uma única fonte, multifacetas da própria incapacidade de perceber tantas faces a mais, limitada por olhos também pigmentados e mentes que, coloridas, compõem tela hostil e encantadora em vermelho, preto e branco (entre outras mais, não vistas) de surrealidade cotidiana.

Se na natureza reside perigo nas cores aberrantes do predador tal como há falso aviso na caleidoscópica carapaça defensiva da presa, de que lado da emboscada encontro-me quando tudo o que vejo é cor sua?

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