Grandes crescimentos populacionais sempre foram intercalados por equivalentes depressões naturais, reações inexplicáveis de algo ainda mais inefável para curar algo que não se encaixava muito bem nas condições de normalidade com as quais nossos recursos, meios e leis são capazes de lidar sem perdas ou prejuízos. Em observância de regra, aquilo que anormalmente desenvolve-se passa de remédio a doença.
Um hábito reiterado é identificação pessoal, um hábito coletivo reiterado é costume; mas um hábito reiterado descontroladamente é mania, vício, enquanto o coletivo é histeria, massificação de controle. A dose excessiva de um remédio intoxica e o uso exacerbado de Deus caracteriza o fanatismo. Aquilo que alimenta e abastece o corpo com a energia necessária para continuar a seguir em frente igualmente pode aviltar-se, envenenar o sangue e inchar o tecido adiposo até que não se consiga ânimo, moção ou vontade de locomover-se. Mesmo a aquisição de bens por capricho ou necessidade arrisca-se à conspurcação do colecionismo ou do consumismo degenerado. E, por analogia - sempre por analogia - há eu; que com muito eu, exagerado, monocêntrico e megalomaníaco dessa forma, também sou doença. Assim como o mundo, talvez, se exagerou ao nos multiplicar como uma praga incontrolável e aguarda, também como eu, o alvorecer de um inexplicável, inefável - e provavelmente trágico, mas necessário - momento de cura.
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