domingo, agosto 9

la sombra


Sombras e trevas, te vejo
assim, tão mistificante
quanto do meu sol distante,
mas aqui, no meu meu desejo.
Seja o teu sussurro sorte
que me faz ter e gastar,
também é profundo corte
até onde dói o azar.
É uma roda da fortuna
eterna, esse nós dois;
um agora pr'a depois
deixado, ali na bruma,
num cantinho desaquecido
onde o fogo se consome
Sem saciar sua fome,
mas num gole em ti bebido
para queimar a garganta
e dizer embevecido
ao teu corpo tão querido
Um calor que se agiganta.
Enfim, essas sombras crescem
p'ra te confortar em mim
e te ver perto do fim,
onde os passados se esquecem.

(Lennon Moreira)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentar também é [com]partilhar, e quem está na contramão tem a vantagem de olhar seus vizinhos nos olhos.