Bem que ele subestimou, contudo sempre soube haver algo terrível em se entregar ao sono, uma malícia explícita na malevolência das possessivas crias do falecido Morfeu. Mas quem sabe? Se o que há quando se acorda já não tem relevância e o abismo pungente no fígado apenas corrói?
Dormir afaga a ausência da dor, é a mais acessível das drogas, não a menos destruidora. Existe algo incômodo quando se permuta um dia desperto por dez em sonho, e é aperceber-se mais forasteiro ao acordar aqui dentro do que lá fora, livre, em sono.
E tudo daqui se apaga como lembranças fracas. Como ele antes esquecia os sonhos, esquece de si.
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