terça-feira, março 24

VI. Tudo


A ideia era reunir todas as vontades refreadas pelo bom senso e deixar para um só dia, sabe? Os bons dias, os abraços imprevisíveis e as comemorações em datas importantes, simbólicas ou não. Os presentes, não mais dados mecanicamente, exsudariam aos borbotões muito do que as palavras antes mal conseguiam dizer com a ênfase que deveriam e, quando diziam, não demonstravam posse da noção de sua própria relevância. 

Ora, se as coisas que libertam são também as que sufocam quando cativam, talvez seja preciso um tempo em cativeiro para começar a entender que o que não é dito por vezes é mais intenso. É tudo.


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