Antes de ficar quase tonta por tantas mentiras que ouvia, tentei parar e respirar fundo, sabe? Quem sabe eu conseguia recordar de alguma coisa boa que me desviasse a raiva daquela besteira toda, algo como quando sinto a areia molhada à beira-mar sob meus pés e entre meus dedos ou aquele up que me acomete quando o dia trinta cai em um domingo e no dia vinte e oito o pagamento já está na conta. Algo assim. Juro que fechei os olhos na tentativa de me esforçar, mas sei lá. Ninguém é uma máquina - e se somos, não somos lá uma muito estável -, não dá para calcular como e quando fazer tudo como deveria ser feito. Ah, quer saber? Não me arrependo nem um pouco. Não sei se faria de novo, porém essa coisa de arrependimento não é para mim. A única coisa com o que poderiam me chantagear por silêncio e calma seria o quê, reprimenda social? Infelizmente já somos julgadas a todo momento pelo que comemos e pelo que vestimos, agora vão nos julgar até pelo que sentimos? E ainda querem que eu respire fundo e conte até dez? Faça-me o favor.
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